Spinner na mão, aluno sem atenção: brinquedo preocupa professores

Nesta edição da Escola de Pais, o Colégio Morumbi Sul traz à pauta a mais recente moda entre os estudantes das escolas brasileiras: o “Hand Spinner”, supostamente um brinquedo utilizado com a finalidade aumentar a concentração e reduzir o estresse.

Inventado na década de 90, o objeto, quando acionado, deve girar constantemente na ponta dos dedos das crianças e adolescentes que o usam frequentemente. O fato é que essa moda tem  causado transtornos e algumas  escolas já estão revendo seu uso em suas dependências.

Recentemente, escolas britânicas e americanas declararam “guerra” contra o brinquedo. As instituições de ensino alegam que o brinquedo, que a princípio tem o propósito de diminuir o estresse e ansiedade, se tornou parte de disputas entre alunos durante os intervalos das aulas. Uma escola em Henderson, Estados Unidos, escreveu uma carta aos pais pedindo que impeçam os alunos de levar o Hand Spinner para as salas. A escola declarou que só irá permitir o uso do brinquedo em sala de aula mediante a apresentação de atestado médico.

Aqui mesmo no Brasil, escolas particulares já começam a se manifestar sobre o assunto. Em Belo Horizonte, uma delas proibiu que o brinquedo fosse levado para a escola. Segundo consta em notícia publicada no site do Jornal Hoje em Dia, a orientadora do Ensino Fundamental afirmou que a decisão da escola se deveu ao fato de o brinquedo atrapalhar a atenção dos alunos em sala de aula e seu uso não estar sendo nada terapêutico. A decisão, segundo a profissional, foi tomada em conjunto com os alunos. No Rio de Janeiro, um colégio também proibiu os alunos de entrar na escola com o brinquedo. E esse movimento progride para outras escolas brasileiras.

Questão de segurança

O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) publicou nota advertindo com relação à venda e ao uso dos spinners, e estabeleceu a faixa etária adequada.

“Esse tipo de produto é entendido pelo Instituto como brinquedo, e, por isso, só pode ser comercializado com o selo de identificação da conformidade. Responsáveis devem observar a indicação da faixa etária. O hand spinner é contraindicado para crianças com idade inferior a 6 anos (caso já tenham sido adquiridos, recomenda-se a suspensão do acesso ao brinquedo). Para as mais velhas, o uso deve estar sujeito à supervisão por um adulto”, informa a nota.

O Inmetro alertou ainda para possíveis riscos relacionados ao engasgamento com a ingestão de partes pequenas, em especial, dos rolamentos. “Nos modelos que são movidos a motor, a preocupação é ainda maior, com o risco adicional de ingestão das baterias botão”.

Prós e contras

De acordo com especialistas, o dispositivo tem prós e contras. O hand spinner “não deve reduzir a interação dos filhos com os pais” e não pode servir com o mero intuito de manter a criança sossegada, afirmam. “É preciso perceber se o brinquedo começar a atrapalhar o sono, alimentação ou atividades escolares. Tudo em excesso e que tira a criança da funcionalidade dela é prejudicial”, explica. A respeito dos benefícios para crianças com TOC (Transtorno Obsessivo-compulsivo), informam que a questão é mais complexa e que, dependendo do nível do TOC, o uso do hand spinner pode ser desfavorável.

Modismo

Os brinquedos e jogos que se tornam sensações momentâneas não são de hoje – alguns têm ciclos e retomam a popularidade após certo tempo. Basta se lembrar do bate-bate, que consistia em duas bolas presas em uma argola por meio de um cordão, ou das molas coloridas, só para citar alguns.

O Colégio Morumbi Sul – A equipe pedagógica do Colégio Morumbi Sul não permite o uso  durante as aulas e atividades. Nesses momentos, o “brinquedo” deve permanecer devidamente guardado na mochila. Nos recreios, recomendamos que os alunos exercitem a convivência social e integração (habilidades socioemocionais imprenscindíveis para o seu desenvolvimento e solicitadas no século 21). Na Educação Infantil e 1ºs anos não será permitido o seu uso na rotina escolar e também no dia do brinquedo.

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