20
- março
2019
O que se sabe sobre a nova aparição de Momo em vídeos

Circula nas redes sociais comentários de que crianças assistiram o filme da Momo em vídeos de slime no Youtube Kids. O que há de verdade nisso? Quais as consequências e como proteger as crianças de conteúdos impróprios na internet?

Em tempos digitais temos percebido a necessidade de redobrar a atenção com nossas crianças, porque, invariavelmente, nos deparamos com “novidades” que em nada contribuem para o seu desenvolvimento. É, novamente, o caso de Momo, uma assustadora personagem que, agora, surge nos filmes de crianças brincando com slime.

Casos assim, dentre tantos outros que a internet proporciona, só merece nossa atenção porque circulado nas redes sociais que crianças estão sendo assustadas e ameaçadas pelo “filme da Momo”em vídeos de slime do YouTube Kids. E mais, que neles a “boneca” estaria ensinando as crianças a se suicidar. Diante disso, temos a obrigação de compartilhar com os pais nossa preocupação e ver meios de proteger nossas crianças de ameaças digitais reais.

O que se sabe é que o referido vídeo, segundo a Revista Crescer, burlou os algoritmos de segurança até do próprio YouTube Kids, e tem sido visto por crianças. Por essa razão, solicitamos que verifiquem com atenção a navegação de seus filhos nas redes sociais, procurando saber, em conversa, que conteúdo eles têm acessado ou visto. Vale a pena orientá-los sobre os perigos advindos de certos programas ou filmes, livremente expostos na internet, com situações que assustam e podem até induzir ao suicídio, sendo absolutamente impróprios.

Para Regina Assis, doutora em Educação pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e membro do conselho de especialistas do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), “ainda somos carentes de uma legislação específica para definir o que é ou não aceitável veicular para as crianças na internet. Enquanto isso ainda não é decidido, o acompanhamento próximo dos pais em relação ao tempo de tela e o conteúdo de interesse dos filhos é essencial. Por causa da superestimulação causada pelas telas, estamos encontrando nos consultórios e salas de aula crianças agitadas, intensas e com uma dificuldade imensa de atenção o que prejudica não só o processo de aprendizado, mas o desenvolvimento saudável de relacionamentos”, afirma.

A Academia Americana de Pediatria (AAP) indica no máximo 1 hora de tela dos 18 meses aos 5 anos, período que deve ser fracionado ao longo do dia e com conteúdo pedagogicamente responsável. A partir dos seis anos, cabe aos pais estabelecer esse limite – o tempo usado para atividades escolares no computador, no caso de crianças mais velhas ou adolescentes, fica de fora dessa conta.

De acordo com a educadora, além de restringir o acesso a equipamentos por um tempo adequado, os pais devem acompanhar de perto o que os filhos estão assistindo. “Saiba o que seu filho vê e converse com ele sobre aquilo antes de proibi-lo. Diga o que gosta, não gosta e por quê. O diálogo aberto ainda é o melhor caminho”, diz Regina. Para ela, mesmo se em algum dia for implementada a classificação indicativa para vídeos online, as pais continuarão sendo a última barreira e a mais segura para definir se um conteúdo é adequado ou não para o filho.

O YouTube se manifestou com uma nota: “Ao contrário dos relatos apresentados, não recebemos nenhuma evidência recente de vídeos mostrando ou promovendo o desafio Momo no YouTube Kids. Conteúdo desse tipo violaria nossas políticas e seria removido imediatamente. Também oferecemos a todos os usuários formas de denunciar conteúdo, tanto no YouTube Kids como no YouTube. O uso da plataforma por menores de 13 anos deve sempre ser feito pelo YouTube Kids”.

Com relação a Momo ou qualquer outro personagem que surgir nessa linha de promover o medo, vale a recomendação de que se evite compartilhar os vídeos, pois, conforme dizem os especialistas, quem produz esse tipo de vídeo quer notoriedade e esse não é o tipo de assunto que vale a pena espalhar.

Vale a pena lançar um olhar especial sobre as crianças e acompanhar o que andam fazendo ou vendo nas redes sociais, mantendo o diálogo aberto para que ela sinta a confiança necessária para compartilhar com os pais o que possa estar lhe fazendo mal.  Com essa atenção e a força da parceria escola-família, colocamos  o bem-estar de nossos alunos em primeiro lugar, privilegiando uma formação  que os prepare, inclusive, para fazer escolhas positivas em todos os momentos de sua vida.


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